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Conscientização e a urgência de proteger mulheres da violência

  • Foto do escritor: Jornal Frederiquense
    Jornal Frederiquense
  • há 16 horas
  • 4 min de leitura

Campanha que marca o mês de agosto ganha ainda mais importância diante dos números registrados no Rio Grande do Sul. Em FW, ações de conscientização e fortalecimento da rede de proteção buscam levar informação para além dos serviços especializados


Agosto chega ao fim, mas a violência contra a mulher não obedece ao calendário. É justamente essa uma das principais mensagens por trás do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres. No Rio Grande do Sul, os números mostram que a pauta permanece urgente: milhares de ocorrências são registradas todos os anos, enquanto os casos mais graves podem terminar em feminicídio.

Em 2025, o Estado registrou 80 feminicídios consumados e 258 tentativas de feminicídio, conforme dados do Mapa do Feminicídio da Polícia Civil. O número de mortes representou crescimento de aproximadamente 9% em relação a 2024, quando haviam sido registrados 73 feminicídios.

O cenário não apresentou sinais de melhora no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o Rio Grande do Sul contabilizou 41 feminicídios, 122 tentativas de feminicídio, 15.541 registros de ameaça, 8.491 ocorrências de lesão corporal e 1.001 casos de estupro, segundo dados do Observatório Estadual da Segurança Pública.

Violência que começa antes do feminicídio

Quando se fala em violência contra a mulher, a imagem mais imediata costuma ser a da agressão física. Entretanto, a Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência, incluindo a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A violência psicológica, por exemplo, pode aparecer por meio de ameaças, humilhações, constrangimentos, manipulação, isolamento e controle sobre a vida da mulher. Muitas vezes, esses comportamentos são naturalizados dentro dos relacionamentos e não são imediatamente reconhecidos como violência.

Entre as denúncias recebidas pelo Ligue 180 no período, a violência psicológica apareceu na liderança, com 35% dos registros, seguida pela violência doméstica enquadrada na Lei Maria da Penha, com 24,5%, e pela violência física, com 18%.

O dado revela uma dimensão importante do problema: identificar a violência antes que ela evolua para situações extremas pode ser decisivo para interromper o ciclo de agressões.

Um Estado diante de milhares de ocorrências

No Rio Grande do Sul, os números acumulados mostram que a violência contra a mulher está longe de ser um fenômeno isolado.

Somente nos seis primeiros meses de 2026, foram mais de 25 mil registros nos cinco principais indicadores acompanhados pelo Estado: ameaças, lesões corporais, estupros, tentativas de feminicídio e feminicídios consumados.

O ano de 2025 já havia terminado com números preocupantes. Além dos 80 feminicídios consumados, foram registradas 258 tentativas. A macrorregião Metropolitana concentrou 31 mortes, enquanto a região Noroeste, onde está Frederico Westphalen, registrou 18 feminicídios, o segundo maior número entre as macrorregiões do Estado.

Frederico Westphalen também sente os efeitos da violência

A realidade regional reforça a necessidade de manter o assunto em debate durante todo o ano. Levantamento divulgado em novembro de 2025, com dados do Observatório Estadual de Segurança Pública, apontou 813 ocorrências de crimes contra a mulher entre janeiro e setembro em 19 municípios da região de Frederico Westphalen.

As ameaças representaram a maior parte dos registros, com 546 ocorrências. Na sequência apareceram as lesões corporais, com 234 casos, além de 27 estupros, quatro tentativas de feminicídio e dois feminicídios consumados. Frederico Westphalen apareceu na segunda posição entre os municípios analisados, com 162 ocorrências, atrás apenas de Palmeira das Missões, que registrou 171.

Os números regionais mostram que a violência não está restrita aos grandes centros urbanos. Ela também está presente em municípios de pequeno e médio porte, onde a existência de uma rede articulada de atendimento pode fazer diferença para que a vítima consiga romper o ciclo de violência. E Frederico Westphalen viveu, em 2025, um dos casos mais graves desse cenário.

A rede de proteção precisa funcionar antes da emergência

Nos últimos anos, diferentes estruturas foram criadas ou ampliadas para melhorar o atendimento às vítimas. No Rio Grande do Sul, estão entre as estratégias utilizadas a expansão das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, as Salas das Margaridas, a Delegacia Online da Mulher, a Patrulha Maria da Penha, o Formulário Nacional de Avaliação de Risco e mecanismos de monitoramento de agressores.

A Delegacia Online da Mulher permite registrar ocorrências e solicitar medidas protetivas de urgência pela internet. Já o Formulário Nacional de Avaliação de Risco reúne indicadores que auxiliam na identificação de situações de maior perigo e podem subsidiar decisões de proteção.

O Estado também trabalha com tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores, além da possibilidade de prisão preventiva em situações de descumprimento de medidas protetivas. Outro mecanismo é o acompanhamento integrado de casos. Entre as iniciativas estaduais estão estruturas como o Centro de Referência Estadual da Mulher, centros regionais, acolhimento e abrigamento, o Sistema Violeta, a Escuta Lilás e ferramentas de monitoramento dos casos.

Em 2025, a Secretaria da Segurança Pública informou ter encaminhado ao Judiciário quase 70 mil pedidos de medidas protetivas de urgência, mostrando a dimensão da demanda que chega à rede pública de proteção.



 
 
 

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